Falta pouco para mais um capítulo da antologia que redefiniu o true crime audiovisual contemporâneo entrar no catálogo da Netflix. Em 17 de setembro, chega ao streaming a nova temporada de Monstro (Monster), produção de Ryan Murphy que, depois de revisitar Jeffrey Dahmer, os irmãos Menendez e Ed Gein, agora mergulha em um dos casos mais emblemáticos e perturbadores do final do século XIX: o assassinato de Andrew e Abby Borden com golpes de machado, crime pelo qual foi julgada – e absolvida – a filha e enteada das vítimas, Lizzie Borden, em 1892, na pequena Fall River, Massachusetts.

A notícia foi divulgada originalmente pelo portal Adorocinema.com e, nas horas seguintes, ganhou tração em portais especializados, fóruns de true crime e timelines de redes sociais. A empolgação com a escalação de Ella Beatty divide espaço com um debate cada vez mais necessário: até que ponto é saudável – ou responsável – transformar massacres reais em produto de entretenimento de massa?

Este conteúdo foi pensado para quem quer ir além do release de imprensa. Ao longo das próximas seções, você vai encontrar o contexto histórico completo do caso Borden, a trajetória da franquia Monstro, o que esperar da nova temporada, comparativos com outras adaptações já feitas sobre o mesmo caso e um FAQ respondendo as dúvidas mais frequentes sobre o lançamento. Nosso objetivo é entregar um material tão completo que possa ser usado como referência mesmo depois que você terminar de maratonar a série.

O Caso Real que Inspirou a Nova Temporada

Os assassinatos de 4 de agosto de 1892 em Fall River

Para entender o impacto cultural do caso Borden, é preciso voltar à manhã de uma quinta-feira comum na pequena Fall River, cidade industrial do nordeste dos Estados Unidos conhecida pela produção têxtil. Andrew Jackson Borden, um comerciante rico porém avarento, de 70 anos, foi encontrado morto no sofá da sala de estar da residência da família na Second Street. Tinha o rosto praticamente destroçado por múltiplos golpes de algo cortante – o legista estimou entre dez e onze facadas ou machadadas.

Pouco mais de uma hora depois, o corpo de Abby Durfee Gray Borden, segunda esposa de Andrew e madrasta de Lizzie, foi descoberto no andar de cima, no quarto de hóspedes. O padrão era semelhante: rosto e crânio dilacerados por aproximadamente dezenove golpes. A cena era tão brutal que uma das testemunhas, o sobrinho das vítimas, comentou que o assoalho da casa parecia ter sido pintado com sangue.

Lizzie, que na época tinha 32 anos, afirmou estar no celeiro investigando um incidente de roubo de pássaros ornamentais quando o pai foi assassinado. A história nunca bateu com a linha do tempo estabelecida pelas investigações – e esse desencontro é o motor que mantém o caso vivo na cultura popular há mais de 130 anos.

O julgamento, a absolvição e o mistério que não se apagou

O julgamento de Lizzie Andrew Borden, realizado em junho de 1893 no tribunal de New Bedford, foi um dos primeiros "espetáculos midiáticos" da história americana. A imprensa da época – jornais sensacionalistas como o New York World – transformou cada audiência em folhetim, com direito a ilustrações dramáticas e charges debochando do comportamento da ré, que sorria e acenava para os curiosos.

Apesar de fortes indícios circunstanciais – incluindo uma tentativa de compra de ácido prússico dias antes do crime e a queima de um vestido azul supostamente manchado –, o júri absolveu Lizzie em pouco mais de uma hora e meia de deliberação. A promotoria não conseguiu apresentar a arma do crime, nunca estabeleceu uma motive financeiro ou emocional convincente para o público vitoriano e falhou em produzir uma testemunha ocular.

Lizzie viveu mais 34 anos após o julgamento, mudou-se para uma casa confortável em Maplecroft e morreu em 1927. Nunca houve revisão formal do caso e nenhum outro suspeito jamais foi oficialmente indiciado. Esse vácuo de verdade é, em grande parte, o combustível da mitologia.

Teorias alternativas e suspeitos que a história esqueceu

Embora o foco esteja em Lizzie, a série de Ryan Murphy – e a tradição narrativa em torno do caso – costuma explorar outros suspeitos possíveis:

  • William Borden, filho ilegítimo do patriarca, que poderia ter herdado parte da fortuna caso Andrew fosse declarado morto sem testamento.
  • Emma Borden, irmã de Lizzie, que tinha um álibi suspeito e relações tensas com o pai.
  • John Morse, tio das irmãs que vendeu parte das propriedades dos Borden e tinha desavenças financeiras com Andrew.
  • Intruso desconhecido: a polícia encontrou portas trancadas por dentro, sem sinais de arrombamento, mas a hipótese nunca foi totalmente descartada.

A versão que chegou ao grande público – a filha ressentida com o pai controlador – é apenas uma das camadas. Isso explica por que a nova temporada tem potencial para subverter expectativas.

A Nova Temporada de Monstro: O que Esperar

Elenco e bastidores

Segundo o portal Adorocinema.com, a quarta temporada de Monstro reúne um trio de protagonistas com pedigree cinematográfico considerável. Ella Beatty assume o papel-título, repetendo a parceria com Ryan Murphy depois de Feud: Capote vs. The Swans. Charlie Hunnam interpreta Andrew Borden, enquanto Rebecca Hall dá vida à madrasta Abby – uma escolha de casting que, segundo a própria atriz em entrevistas recentes, busca humanizar a vítima sem romantizar o凶手.

A direção fica a cargo de Max Winkler e Paris Barclay, com produção executiva de Ryan Murphy e Ian Brennan, a dupla responsável pela consistência estética e narrativa da franquia desde Dahmer.

Por que Ella Beatty é a escolha certa para Lizzie

A escalação é um dos pontos altos do anúncio. Filha de Warren Beatty e Annette Bening, Ella traz um tipo físico vitoriano "fora do padrão" – olheiras marcadas, queixo forte, boca larga – que dialoga com descrições históricas de Lizzie como uma mulher "nada feminina" para os padrões da época. Em Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria e em Feud, ela demonstrou capacidade de sustentar papéis emocionalmente densos sem cair no melodrama, exatamente o que um caso como esse exige.

Em entrevista ao Tudum, da própria Netflix, Beatty resumiu o espírito da temporada: "investigar a psicologia dessa pessoa complexa e examinar um crime americano que parece quase mítico em suas proporções". A fala já indica que a série não pretende entregar um veredito – vai apresentar "diferentes versões dos acontecimentos", como lembra a sinopse.

Por que Lizzie Borden Continua Fascinando o Público

O contexto vitoriano e as questões de gênero

Lizzie Borden foi julgada nos Estados Unidos da década de 1890, um período em que uma mulher era legalmente considerada propriedade do marido ou do pai. O fato de ela ter sido absolvida – apesar das evidências circunstanciais – revela muito mais sobre a sociedade do que sobre o crime em si. O sistema simplesmente não conseguia processar a ideia de que uma mulher de família respeitável, professora de escola dominical, pudesse decepar duas pessoas com um machado.

Esse estranhamento é o motor da franquia. A nova temporada, segundo o comunicado oficial, mergulha na "raiva e na repressão feminina" – temas que, em 2025, continuam urgentes. Assistir Monstro em 2025 não é apenas revisitar um caso histórico, é confrontar os mecanismos que ainda hoje protegem ou condenam mulheres que transgridem.

A rima que virou lenda popular

Poucos casos criminais geraram uma peça de folklore tão duradoura quanto o "Lizzie Borden took an axe...". A rima infantil, supostamente composta nos anos 1960 e popularizada em livros de cordel americanos, transformou um homicídio real em brincadeira de criança. Isso explica, em parte, por que o caso resiste ao tempo: ele já escapou para o território do mito, da cantiga e do Halloween.

Ryan Murphy e a Antologia do Crime Americano

A trajetória de Dahmer aos Borden

Antes de Lizzie, a franquia Monstro percorreu um caminho de complexidade crescente:

  1. Jeffrey Dahmer (2022): foco no "por quê" do assassino, com Evan Peters, grande audiência e debate sobre glamourização.
  2. Irmãos Menendez (2024): inversão de perspectiva, dando voz aos réus e problematizando abuso intrafamiliar.
  3. Ed Gein: a temporada mais recente, explorando a origem cultural de vários monstros do cinema.
  4. Lizzie Borden (2025): primeira protagonista feminina, primeira mudança de século, primeira narrativa centrada na ambiguidade.

Esse arco mostra que Murphy e Brennan estão usando a antologia menos como catálogo de horrores e mais como arquivo de patologias sociais. Cada temporada funciona como um capítulo de uma tese sobre os Estados Unidos.

A fórmula Murphy: estética, polêmica e empatia

Quem acompanha a filmografia de Ryan Murphy reconhece a assinatura: paleta dessaturada nos momentos de violência, trilha sonora anacrônica (música pop ou clássica recontextualizada), planos longos em cenas-chave e narração em off feminina – recurso que deve ser retomado na nova temporada, possivelmente pela própria Lizzie ou por uma das irmãs. Esses elementos criam uma experiência quase terapêutica para o espectador, permitindo processar o horror a partir de uma distância crítica.

Comparativo: Outras Adaptações sobre Lizzie Borden

O filme de 1991 com Christina Ricci

A adaptação mais lembrada é Lizzie Borden – A Maldição do Machado (The Lizzie Borden Story), telefilme da Lifetime lançado em 2014 com Christina Ricci – e vale destacar o longa Lizzie (2018), com Kristen Stewart e Chloë Sevigny, que reimaginou o caso sob uma lente lésbica e contemporânea. Comparando as abordagens:

  • Lizzie (2018): experimental, claustrofóbico, focado na relação entre Lizzie e Bridget Sullivan. Ótima para quem busca subtexto e atmosfera.
  • The Lizzie Borden Story (Lifetime, 2014): didático, procedural, mais próximo do true crime tradicional. Funciona como introdução acessível ao caso.
  • Monstro: A História de Lizzie Borden (2025): promete um meio-termo entre profundidade psicológica e reconstituição histórica, usando o aparato visual high-end da Netflix.

Se você nunca assistiu nada sobre o caso, recomendamos começar pelo telefilme da Lifetime para entender os fatos, depois ler o caso real (há diversas biografias, como a de Rick Geary) e só então encarar Monstro. Essa sequência respeita o conteúdo histórico e potencializa a fruição da série.

Como Assistir e o que Saber Antes da Estreia

Calendário e disponibilidade

A estreia global está marcada para 17 de setembro de 2025, com todos os episódios disponibilizados simultaneamente – formato "binge", padrão da Netflix para títulos de prestige. Assinantes do plano básico, padrão ou premium terão acesso ao mesmo tempo, sem extras pagos ou capítulos extras via telão. Para evitar transtornos, recomendamos atualizar o aplicativo da Netflix no dia anterior e checar a conexão de internet: episódios de true crime costumam ter mixagem sonora baixa em diálogos, então um fone de ouvido faz diferença.

Guia rápido de preparação para o maratonista

  1. Assista ao episódio único de Dahmer se nunca viu a franquia, para calibrar o tom.
  2. Leia pelo menos um resumo do julgamento real – os arquivos do Boston Globe digitalizados são ótima fonte.
  3. Evite pesquisas em fóruns sobre o final até assistir: spoilers circulam rápido em subreddits de true crime.
  4. Tenha um caderno ou bloco de notas aberto: as séries de Murphy costumam plantar Easter eggs que fazem sentido só na revisão.

FAQ – Perguntas Frequentes sobre Monstro: A História de Lizzie Borden

Quando estreia Monstro: A História de Lizzie Borden?

A quarta temporada da franquia Monstro chega ao catálogo global da Netflix em 17 de setembro de 2025, com todos os episódios lançados no mesmo dia.

Lizzie Borden realmente matou os pais?

Até hoje, não existe um veredito definitivo. Ela foi julgada e absolvida em 1893, e o caso nunca foi reaberto oficialmente. A nova temporada não pretende encerrar o debate, mas apresentar múltiplas leituras possíveis.

A série vai mostrar o crime em si, com violência explícita?

Considerando o histórico da franquia e a legislação de classificação indicativa americana, é esperado que as cenas de machadada sejam mostradas de forma estilizada – mais sugestiva do que gore explícito – embora a Netflix costume disponibilizar uma versão sem cortes para mercados onde o conteúdo é permitido.

É preciso ter visto as temporadas anteriores para entender a de Lizzie Borden?

Não. Monstro é uma antologia: cada temporada é autocontida. Os personagens e histórias não se cruzam. Quem quiser entender melhor a assinatura autoral de Ryan Murphy, no entanto, vai aproveitar mais a experiência tendo visto Dahmer.

Onde assistir as temporadas anteriores?

As três primeiras temporadas – Dahmer, Menendez e Ed Gein – continuam disponíveis no catálogo da Netflix Brasil, acessíveis pelo mesmo login. Não houve, até o momento, anúncio de retirada de catálogo.


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